mercredi 28 mai 2014

Mordida n. 144-De Kiev a Bogotá, eleitores levaram é um chocolate

No mesmo domingo, votaram os eleitores ucranianos, colombianos e da União Europeia. Nesse começo de semana, é a vez dos egípcios se achegarem às urnas. De Kiev a Bogotá, passando por Bucareste, Toulouse, Manchester, Rovaniemi, Kaunas, Wuppertal, Port-Saïd e Gizé, essa efervescência eleitoral não trouxe nem trará nenhuma verdadeira surpresa. No Egito, o marechalíssimo SiSSi com certeza papará uma eleição-trapaça-burla-mistificação, cuja única função é aplicar um verniz de legalidade ao seu golpe de estado contra presidente eleito. Na Colômbia, onde 6 de cada 10 eleitores não saíram de casa para meter o pedacinho de papel no buraquinho da urna, saberemos dia 15 de junho quem vencerá o segundo turno, se Santos, aluno e sucessor do U(bu)ribe, ou Zuluaga, chamado “Z”, também aluno do U(bu)ribe.

Mas consideremos, para começar, os dois vencedores mais espetaculares das euro-eleições: na França, Marine-la-Azul; na Grécia, Alexis-el-cor-de-rosa. O Front National tornou-se o “primeiro partido de França” e Syriza, o “primeiro partido de Grécia”. Surfando o mesmo desgosto da política de desastre dos euroburocratas, essas duas forças políticas oferecem discursos muito divergentes: ao nacionalismo velhote tendência ‘poder branco’ retravestido em neo-gaullismo pós-moderno da vaca-marina, opõe-se um internacionalismo socialista que se livrou dos vanguardismos, da ditadura do proletariado e da luta de classe contra classe, em resumo, uma variante rejuvenescida de social-democracia, da qual o velho Karl Marx deu a melhor definição histórica: “O caráter próprio da social-democracia resumia-se a ela exigir instituições republicanas como meio, não para eliminar os dois extremos, o capital e o salariato, mas para atenuar o antagonismo entre eles e transformá-lo em harmonia” (O 18 Brumário de Louis Bonaparte, 1852).

Riber Hansson, Suécia, Maio de 2012
De modo geral, um bom um terço dos eleitores da União Europeia – 56,89% deles não apareceram para votar – deram a entender, pelo voto, que estão fartos dessa tal Europa formatada em Bruxelas, Luxemburgo, Estrasburgo e Berlin. Nenhuma alternativa real a essa tal Europa jamais sairia, de qualquer modo, das urnas. Enquanto aguarda, a União Europeia será governada por democracia cristã/social-democracia, ou, como escreveu em manchete um jornal italiano, “o governo Angela Renzi”...
Volto ao que me agita mais que tudo, já há algum tempo: a eleição presidencial na santa Ucrânia. Imaginem que a eleição foi precedida, na véspera, por uma missa na catedral de Santa Sofia de Kiev, à qual assistiu o conjunto do governo de fato, brotado do putsch de fevereiro. Domingo pela manhã, Angie, François e Vladimir tiveram conversinha a três pelo telefone, e se puseram de acordo o suficiente para se declararem “interessados em que a eleição presidencial na Ucrânia transcorra de maneira calma e pacífica” e quanto “à necessidade de intensificar as discussões entre representantes da Rússia, da União Europeia e da Ucrânia com vistas a resolver os problemas relacionados ao setor de energia.”
 
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